Ao aplicar o princípio da Honestidade à vida em sociedade, fica claro que o indivíduo que tenta falsear a realidade perante seus semelhantes se prejudica por criar uma teia de contradições potencialmente infinita com a qual ele terá de conviver, e precisará sustentar.
Se é preciso lidar com os outros através da verdade, é preciso contar a todos tudo sobre si? É preciso dar todos os detalhes sobre sua vida pessoal a seu chefe e seus colegas de trabalho? É preciso contar a todos seus amigos atuais os mínimos detalhes sobre seu passado?
Fica aparente que não é prático viver desta forma, pois seria necessário transmitir todos os fatos de uma vida cada vez que se conhecesse uma nova pessoa. Também se pode imaginar de imediato o constrangimento de envolver todos nos mínimos detalhes da vida pessoal. Felizmente esta interpretação da Honestidade é incorreta.
Para aplicar corretamente o princípio, é preciso olhar com cuidado o contexto em que ele se aplica. É preciso saber o que uma pessoa é para lidar com ela, mas a gama de informações e a profundidade do conhecimento sobre ela que são necessários dependem do contexto de interação.
O primeiro ponto relevante é que níveis de relacionamento diferentes requerem níveis de informação diferentes. Alguém de quem se compra um refrigerante não requer o mesmo nível de conhecimento que alguém com quem se vai abrir uma empresa. Não é preciso saber muito sobre o primeiro, é importante conhecer bem o segundo.
A distinção entre relacionamento “profissional” e “pessoal” é útil, pois os relacionamentos “profissionais” são mais delimitados – sabemos que as ações que tomamos e que nossos pares tomam estão limitadas à atuação profissional, sabemos o que precisamos saber sobre eles para tomar estas decisões e vice versa. Relacionamentos pessoais são diferentes, conforme estes evoluem há uma expectativa de maior conhecimento mútuo – e o escopo de “o que devem saber sobre mim” aumenta continuamente com a intimidade do relacionamento.
Outro ponto importante é o relevante é o que a pessoa é, não o que ela já foi um dia. Um criminoso verdadeiramente reformado, alguém que reconheceu seu erro e fez o possível para reparar o dano que causou, não precisa informar todos com quem se relaciona que foi criminoso no passado. Não é mais isso o que ele é, as pessoas precisam lidar com ele como é hoje.
A Honestidade, por outro lado, levaria nosso ex-presidiário a prontamente admitir seu passado, caso este fosse descoberto por alguém. “Sim, cometi crimes. Hoje sei que estava errado e fiz o que pude para reparar o que causei. Não falo sobre isto porque hoje sou diferente.” Negar seu passado cria uma contradição. Admiti-lo o liberta dele.
Não alardear um passado criminoso em um relacionamento não é imoral, porque este passado, se verdadeiramente superado, é irrelevante para as decisões das outras pessoas.
Isto leva à última observação, que é a equivalência entre a inverdade e a omissão proposital de informação relevante. Foi visto que omitir certas coisas sobre o passado não é moralmente condenável. É preciso salientar que isto se aplica apenas àquilo que não é relevante às decisões das pessoas com quem se relaciona.
Omitir uma informação relevante é, na prática, indistinguível de uma mentira. Ao conduzir um relacionamento romântico, omitindo o fato de que se tem um filho, o efeito é o mesmo de se dizer que não o tem. Quando o filho for descoberto, dizer “eu nunca disse que não tinha um filho” não satisfará a pessoa – por mais que seja verdade. Isto ocorre pois ter um filho é um fato extremamente relevante neste contexto, que afeta diretamente as escolhas da pessoa com quem se está relacionando.
É preciso julgar, em cada relacionamento, o que a pessoa precisa saber para tomar as decisões que guiarão sua ação – e fornecê-las. É preciso evitar que nossa omissão leve outros a assumir coisas incorretas sobre nós. É preciso admitir sempre a verdade, quando ela se tornar conhecida. Esta é a chave para relacionamentos pessoais e profissionais sólidos e duradouros, baseados na realidade.
Não é preciso ser um "livro aberto" para todos.
16 julho, 2007
Honestidade em sociedade
Ao discutir o princípio ético da Honestidade, foi dada ênfase ao fato de que este princípio rege primariamente a relação do homem com a realidade. A aplicação deste princípio mais amplo à vida em sociedade guia o homem racional ao escolher como lidar com seus semelhantes.
O princípio da Honestidade estabelece que, para viver de acordo com sua natureza, o homem precisa lidar com a realidade como ela realmente é. Fantasias, desejos, intuição, esperança não são base para tomar decisões eficazes na realidade – decisões e ações eficazes são baseadas em fatos. O mesmo se aplica à vida em sociedade.
Há duas conseqüências principais deste princípio no convívio humano. A primeira são os princípios que devem guiar a ação do indivíduo para com os outros, a segunda são os princípios que devem guiar a reação do indivíduo às ações dos outros.
Em relação à ação do indivíduo, já foi exposto que Honestidade é lidar com a realidade como ela é. Aplicar este princípio à vida em sociedade é reconhecer que “o que é” é mais importante para sua vida que “o que os outros sabem” ou “o que os outros pensam”.
Ao se passar por aquilo que não é, omitir ou falsear fatos, o indivíduo cria uma contradição entre a realidade e aquilo que outras pessoas acham que é verdade. Mas os fatos reais têm conseqüências na realidade – a ficção não. Se alguém mente dizendo que é guitarrista para impressionar alguém, isto não o torna capaz de tocar violão – por mais que naquele momento acreditem nele.
Esta pequena contradição, o fato que o mentiroso não sabe tocar violão mas diz que sabe, é irreconciliável com a realidade. O motivo disto é a causalidade – a imaginação humana não é capaz de mudar os fatos passados e presentes, apenas instigar-nos a agir moldando os futuros.
Ao dizer que é guitarrista nosso mentiroso eventualmente será questionado sobre onde aprendeu a tocar, quais músicas toca, com quem já tocou. Para conciliar a primeira contradição com a realidade – uma realidade causal onde não existem guitarristas que nunca estudaram violão, não tocam nenhuma música e nunca tocaram com ninguém – ele terá de mentir mais, criando mais contradições.
Mas fatos passados não são o único inimigo de quem tenta substituir a realidade por ficção ao interagir com outros. As contradições têm conseqüências presentes. Nosso falso guitarrista, se conviver com as pessoas para quem mente, eventualmente se verá em situações em que elas esperam que ele seja capaz de tocar – seja uma rodinha de violão na praia ou uma festa com uma banda de amigos. Ele se verá obrigado a mentir mais para encobrir o fato de que não sabe tocar guitarra – criando novas contradições que o perseguirão.
Há dois pontos importantes a destacar. Primeiro, a medida em que a inverdade supostamente beneficia o mentiroso é a medida da contradição gerada, e da teia de incongruências que o mentiroso terá de “administrar”. Uma mentira irrelevante pode até passar desapercebida por todos, mas também não gera benefício algum. Uma mentira que significativamente afeta a maneira como as pessoas reagem é uma mentira que terá ramificações significativas e duradouras.
Segundo, a ameaça ao mentiroso são exatamente as pessoas racionais e inteligentes, aquelas que são capazes de perceber a realidade e entender causas e conseqüências. A pessoa que tenta manter uma imagem que difere da realidade torna se adversária da causalidade – da própria realidade – e das pessoas racionais.
No longo prazo a inconsistência entre imagem e fatos gera tantas ramificações que se torna impossível evitar que a mentira seja descoberta e, uma vez descoberta, que as pessoas passam a tratar tudo o que aquele indivíduo diz com ceticismo. Este fato é a realidade por trás do dito popular “mentira tem perna curta”.
O homem precisa lidar com os outros através da verdade – não por um mandamento inexplicável mas em benefício próprio. Aquele que não o faz passa a dedicar seu tempo a combater a realidade e as pessoas racionais, e não a viver sua vida
Ainda neste tópico, resta a questão do aparente conflito entre a Honestidade e a privacidade. Se é preciso ser honesto com os outros é preciso sempre contar tudo a todos? Esta é uma questão que merece atenção especial, e será abordada em um artigo dedicado (Honestidade e privacidade).
Em relação à reação do indivíduo às ações de outros, o princípio da Honestidade também traz conseqüências importantes. Para conviver com outras pessoas, é preciso saber o que elas são – e agir de acordo.
A conseqüência de ser Honesto ao lidar com as ações de outros é que é essencial julgar. O homem que trata igualmente um homem racional e um irracional, que trata igualmente um homem independente e um parasita, que trata igualmente um homem honesto e um desonesto está destruindo sua própria vida. Ou está maltratando pessoas boas, ou está permitindo que pessoas más o maltratem.
Esta aplicação contraria frontalmente a ética religiosa prevalente, a do “não julgue para não ser julgado”. Como disse Ayn Rand, a ética racional exige que o indivíduo “julgue, e esteja pronto para ser julgado” pelos outros. Mesmo os que pregam o não-julgamento sabem que é impossível viver desta forma – podem não criticar abertamente o que sabem ser errado, mas agem para com as pessoas de acordo com o julgamento que fazem delas.
A necessidade de julgar não exime o indivíduo de julgar racionalmente. O juízo que se faz das pessoas precisa ser com base em fatos. As ações das pessoas são a evidência mais clara para este julgamento, mas é preciso também conhecer seus motivos. Julgar as pessoas apenas por suas ações, ou julgá-las apenas por seus motivos leva a erros.
Se a Honestidade leva a julgar nossos próximos, leva também a agir de acordo com este julgamento. Tratar como honesto alguém que é sabidamente trapaceiro significa aceitar ser enganado, em prejuízo da própria vida e prosperidade. Tratar como desonesto alguém que é sabidamente honesto significa limitar ou até eliminar o benefício que se pode obter do relacionamento.
Agir para com os outros de forma consistente com o que eles são é Justiça, um conceito ético e não meramente legal. Justiça é tornar a forma como se trata as pessoas uma conseqüência das escolhas destas pessoas, de suas ações e motivações. Justiça é Honestidade ao reagir ao outro.
O princípio da Honestidade estabelece que, para viver de acordo com sua natureza, o homem precisa lidar com a realidade como ela realmente é. Fantasias, desejos, intuição, esperança não são base para tomar decisões eficazes na realidade – decisões e ações eficazes são baseadas em fatos. O mesmo se aplica à vida em sociedade.
Há duas conseqüências principais deste princípio no convívio humano. A primeira são os princípios que devem guiar a ação do indivíduo para com os outros, a segunda são os princípios que devem guiar a reação do indivíduo às ações dos outros.
Em relação à ação do indivíduo, já foi exposto que Honestidade é lidar com a realidade como ela é. Aplicar este princípio à vida em sociedade é reconhecer que “o que é” é mais importante para sua vida que “o que os outros sabem” ou “o que os outros pensam”.
Ao se passar por aquilo que não é, omitir ou falsear fatos, o indivíduo cria uma contradição entre a realidade e aquilo que outras pessoas acham que é verdade. Mas os fatos reais têm conseqüências na realidade – a ficção não. Se alguém mente dizendo que é guitarrista para impressionar alguém, isto não o torna capaz de tocar violão – por mais que naquele momento acreditem nele.
Esta pequena contradição, o fato que o mentiroso não sabe tocar violão mas diz que sabe, é irreconciliável com a realidade. O motivo disto é a causalidade – a imaginação humana não é capaz de mudar os fatos passados e presentes, apenas instigar-nos a agir moldando os futuros.
Ao dizer que é guitarrista nosso mentiroso eventualmente será questionado sobre onde aprendeu a tocar, quais músicas toca, com quem já tocou. Para conciliar a primeira contradição com a realidade – uma realidade causal onde não existem guitarristas que nunca estudaram violão, não tocam nenhuma música e nunca tocaram com ninguém – ele terá de mentir mais, criando mais contradições.
Mas fatos passados não são o único inimigo de quem tenta substituir a realidade por ficção ao interagir com outros. As contradições têm conseqüências presentes. Nosso falso guitarrista, se conviver com as pessoas para quem mente, eventualmente se verá em situações em que elas esperam que ele seja capaz de tocar – seja uma rodinha de violão na praia ou uma festa com uma banda de amigos. Ele se verá obrigado a mentir mais para encobrir o fato de que não sabe tocar guitarra – criando novas contradições que o perseguirão.
Há dois pontos importantes a destacar. Primeiro, a medida em que a inverdade supostamente beneficia o mentiroso é a medida da contradição gerada, e da teia de incongruências que o mentiroso terá de “administrar”. Uma mentira irrelevante pode até passar desapercebida por todos, mas também não gera benefício algum. Uma mentira que significativamente afeta a maneira como as pessoas reagem é uma mentira que terá ramificações significativas e duradouras.
Segundo, a ameaça ao mentiroso são exatamente as pessoas racionais e inteligentes, aquelas que são capazes de perceber a realidade e entender causas e conseqüências. A pessoa que tenta manter uma imagem que difere da realidade torna se adversária da causalidade – da própria realidade – e das pessoas racionais.
No longo prazo a inconsistência entre imagem e fatos gera tantas ramificações que se torna impossível evitar que a mentira seja descoberta e, uma vez descoberta, que as pessoas passam a tratar tudo o que aquele indivíduo diz com ceticismo. Este fato é a realidade por trás do dito popular “mentira tem perna curta”.
O homem precisa lidar com os outros através da verdade – não por um mandamento inexplicável mas em benefício próprio. Aquele que não o faz passa a dedicar seu tempo a combater a realidade e as pessoas racionais, e não a viver sua vida
Ainda neste tópico, resta a questão do aparente conflito entre a Honestidade e a privacidade. Se é preciso ser honesto com os outros é preciso sempre contar tudo a todos? Esta é uma questão que merece atenção especial, e será abordada em um artigo dedicado (Honestidade e privacidade).
Em relação à reação do indivíduo às ações de outros, o princípio da Honestidade também traz conseqüências importantes. Para conviver com outras pessoas, é preciso saber o que elas são – e agir de acordo.
A conseqüência de ser Honesto ao lidar com as ações de outros é que é essencial julgar. O homem que trata igualmente um homem racional e um irracional, que trata igualmente um homem independente e um parasita, que trata igualmente um homem honesto e um desonesto está destruindo sua própria vida. Ou está maltratando pessoas boas, ou está permitindo que pessoas más o maltratem.
Esta aplicação contraria frontalmente a ética religiosa prevalente, a do “não julgue para não ser julgado”. Como disse Ayn Rand, a ética racional exige que o indivíduo “julgue, e esteja pronto para ser julgado” pelos outros. Mesmo os que pregam o não-julgamento sabem que é impossível viver desta forma – podem não criticar abertamente o que sabem ser errado, mas agem para com as pessoas de acordo com o julgamento que fazem delas.
A necessidade de julgar não exime o indivíduo de julgar racionalmente. O juízo que se faz das pessoas precisa ser com base em fatos. As ações das pessoas são a evidência mais clara para este julgamento, mas é preciso também conhecer seus motivos. Julgar as pessoas apenas por suas ações, ou julgá-las apenas por seus motivos leva a erros.
Se a Honestidade leva a julgar nossos próximos, leva também a agir de acordo com este julgamento. Tratar como honesto alguém que é sabidamente trapaceiro significa aceitar ser enganado, em prejuízo da própria vida e prosperidade. Tratar como desonesto alguém que é sabidamente honesto significa limitar ou até eliminar o benefício que se pode obter do relacionamento.
Agir para com os outros de forma consistente com o que eles são é Justiça, um conceito ético e não meramente legal. Justiça é tornar a forma como se trata as pessoas uma conseqüência das escolhas destas pessoas, de suas ações e motivações. Justiça é Honestidade ao reagir ao outro.
04 julho, 2007
4 de Julho
Hoje se comemora o aniversário da Declaração da Independência dos Estados Unidos. Duzentos e trinta e um anos depois ninguém parece ter aprendido e guardado as verdades simples e profundas declaradas naquele documento, nem mesmo os americanos.
À versão original de Thomas Jefferson foi acrescentada a menção ao "Criador", e a identificação de Locke de que os direitos do homem são a vida, liberdade e propriedade, foi alterada – para a busca da felicidade.
Ambas as alterações não alteram a relevância deste parágrafo na história humana: nunca antes uma nação ou sistema político haviam sido fundados com base no reconhecimento de que indivíduos – todos eles – possuem direitos essenciais, que não são concedidos por nenhum soberano mas próprios da existência humana e portanto inalienáveis.
Até ao remover a menção ao direito à propriedade, a busca de riqueza é condenada por muitos, estes homens demonstraram que no fundo tinham um entendimento correto da condição humana. Ao declararem o direito à busca da felicidade, e não à felicidade em si, deixam claro que reconhecem que ao homem nada é dado, cabe a ele produzir o que quiser ter.
Os fundadores identificam explicitamente, também pela primeira vez, a função do governo. A única função do governo, por ser o único uso justo da força, sendo defender os direitos à vida, liberdade e propriedade de seus cidadãos.
Nunca existiu no Brasil reconhecimento dos direitos individuais. De uma era em que todos os "direitos" eram concedidos pelo Imperador prosseguimos para uma era em que todos são concedidos pelo governo central democrático – onde o "direito" da maioria violar a vida, liberdade e propriedade (principalmente!) da minoria nunca é questionado.
Até os Estados Unidos, um país que foi fundado como uma República Constitucional onde os direitos individuais eram invioláveis, vem a largos passos se transformando em uma Democracia onde tudo é permitido desde que beneficie a maioria.
Nunca existiu no Brasil consciência sobre a função justa do governo. De uma era em que o governo existia para servir ao soberano prosseguimos para uma era em que a função do governo é resolver os problemas das pessoas.
Até os Estados Unidos, um país que foi fundado sobre a idéia de que cada um é responsável por sua vida e o governo responsável apenas por proteger os cidadãos de criminosos, se tornou um "welfare state" fornecendo comida, hospitais e escolas para uns às custas de outros.
O que realmente surpreende é que não se reconheça a obviedade de que a prosperidade incalculável atingida pelos Estados Unidos nestes últimos 231 anos é conseqüência da liberdade assegurada a seus cidadãos por seu sistema político.
Não é mera coincidência que governos intervencionistas e populistas convivem com crise e miséria enquanto os governos que promovem a liberdade e responsabilidade individual nutrem nações prósperas.
We hold these truths to be self-evident, that all men are created equal, that they are endowed by their Creator with certain unalienable Rights, that among these are Life, Liberty and the pursuit of Happiness
À versão original de Thomas Jefferson foi acrescentada a menção ao "Criador", e a identificação de Locke de que os direitos do homem são a vida, liberdade e propriedade, foi alterada – para a busca da felicidade.
Ambas as alterações não alteram a relevância deste parágrafo na história humana: nunca antes uma nação ou sistema político haviam sido fundados com base no reconhecimento de que indivíduos – todos eles – possuem direitos essenciais, que não são concedidos por nenhum soberano mas próprios da existência humana e portanto inalienáveis.
Até ao remover a menção ao direito à propriedade, a busca de riqueza é condenada por muitos, estes homens demonstraram que no fundo tinham um entendimento correto da condição humana. Ao declararem o direito à busca da felicidade, e não à felicidade em si, deixam claro que reconhecem que ao homem nada é dado, cabe a ele produzir o que quiser ter.
(...) to secure these rights, Governments are instituted among Men, deriving their just powers from the consent of the governed
Os fundadores identificam explicitamente, também pela primeira vez, a função do governo. A única função do governo, por ser o único uso justo da força, sendo defender os direitos à vida, liberdade e propriedade de seus cidadãos.
Nunca existiu no Brasil reconhecimento dos direitos individuais. De uma era em que todos os "direitos" eram concedidos pelo Imperador prosseguimos para uma era em que todos são concedidos pelo governo central democrático – onde o "direito" da maioria violar a vida, liberdade e propriedade (principalmente!) da minoria nunca é questionado.
Até os Estados Unidos, um país que foi fundado como uma República Constitucional onde os direitos individuais eram invioláveis, vem a largos passos se transformando em uma Democracia onde tudo é permitido desde que beneficie a maioria.
Nunca existiu no Brasil consciência sobre a função justa do governo. De uma era em que o governo existia para servir ao soberano prosseguimos para uma era em que a função do governo é resolver os problemas das pessoas.
Até os Estados Unidos, um país que foi fundado sobre a idéia de que cada um é responsável por sua vida e o governo responsável apenas por proteger os cidadãos de criminosos, se tornou um "welfare state" fornecendo comida, hospitais e escolas para uns às custas de outros.
O que realmente surpreende é que não se reconheça a obviedade de que a prosperidade incalculável atingida pelos Estados Unidos nestes últimos 231 anos é conseqüência da liberdade assegurada a seus cidadãos por seu sistema político.
Não é mera coincidência que governos intervencionistas e populistas convivem com crise e miséria enquanto os governos que promovem a liberdade e responsabilidade individual nutrem nações prósperas.
04 junho, 2007
Independência em sociedade
O princípio da Racionalidade aplicado à sociedade estabelece que, para viver de acordo com sua natureza, o homem deve interagir através da persuasão. Em sociedade cada indivíduo é constantemente exposto a argumentos de diversos outros – que buscam influenciar suas decisões. Aplicar o princípio da independência identifica como agir nesta situação.
A primeira identificação essencial é que viver em sociedade não altera o fato de que cada pessoa é completamente livre – e portanto completamente responsável – por suas escolhas. Na ausência de compulsão física, ou ameaça dela, as ações do indivíduo não são determinadas por outros, por mais estímulos que ele receba destes. A natureza individual da decisão não se altera em sociedade.
Se cada escolha é necessariamente individual, é preciso que se reconheça este fato e que se aja de acordo. Reconhecer a individualidade das decisões, mesmo vivendo em sociedade, significa assumir a responsabilidade por seus atos baseando todas as decisões no próprio entendimento.
Independência significa reconhecer que, não existindo coação ou fraude, se é inteiramente responsável por suas ações e decisões, quaisquer que sejam. Significa não culpar a propaganda por suas ações. Significa não considerar que “todo mundo faz” é justificativa para uma ação.
Em sociedade se está sempre exposto ao comportamento de outros. É possível emulá-los, seguir a corrente, abrindo mão de pensar sobre as próprias escolhas. O indivíduo estará constantemente sujeito a agir em maneiras que prejudicam sua vida e a de outros, embora possa haver aceitação e tolerância por parte do grupo das conseqüências negativas de seguir seus costumes.
Alguém que quer a melhor vida para si não coloca aceitação como objetivo máximo de sua vida. Conhecer a natureza racional do ser humano significa reconhecer que para decidir bem, é preciso saber.
Independência aplicada à vida em sociedade significa entender todas as escolhas que precisam ser feitas, as conseqüências de cada alternativa e tomar decisões com base neste conhecimento. Não significa ignorar opiniões nem argumentos de outros, mas significa só segui-los quando concordar com eles. Concordar significa que seu julgamento racional, independente, individual, chega à mesma conclusão.
A sociedade em que seguir o comportamento socialmente aceitável é mais importante para as pessoas que fazer e seguir seu próprio julgamento, é uma sociedade que está à mercê de qualquer demagogo ou populista. As recentes trajetória do “politicamente correto”, do multiculturalismo e do ambientalismo são exemplos deste fato. Se a mecânica da obediência já existe, é muito mais fácil instalar a tirania.
A sociedade em que o julgamento individual predomina é uma sociedade em que dogma, alarmismo, demagogia e populismo têm pouco efeito. Para racionalmente convencer milhões de indivíduos independentes, é preciso efetivamente ter Razão. Ao ser independente, o indivíduo faz bem para si e para os outros.
A primeira identificação essencial é que viver em sociedade não altera o fato de que cada pessoa é completamente livre – e portanto completamente responsável – por suas escolhas. Na ausência de compulsão física, ou ameaça dela, as ações do indivíduo não são determinadas por outros, por mais estímulos que ele receba destes. A natureza individual da decisão não se altera em sociedade.
Se cada escolha é necessariamente individual, é preciso que se reconheça este fato e que se aja de acordo. Reconhecer a individualidade das decisões, mesmo vivendo em sociedade, significa assumir a responsabilidade por seus atos baseando todas as decisões no próprio entendimento.
Independência significa reconhecer que, não existindo coação ou fraude, se é inteiramente responsável por suas ações e decisões, quaisquer que sejam. Significa não culpar a propaganda por suas ações. Significa não considerar que “todo mundo faz” é justificativa para uma ação.
Em sociedade se está sempre exposto ao comportamento de outros. É possível emulá-los, seguir a corrente, abrindo mão de pensar sobre as próprias escolhas. O indivíduo estará constantemente sujeito a agir em maneiras que prejudicam sua vida e a de outros, embora possa haver aceitação e tolerância por parte do grupo das conseqüências negativas de seguir seus costumes.
Alguém que quer a melhor vida para si não coloca aceitação como objetivo máximo de sua vida. Conhecer a natureza racional do ser humano significa reconhecer que para decidir bem, é preciso saber.
Independência aplicada à vida em sociedade significa entender todas as escolhas que precisam ser feitas, as conseqüências de cada alternativa e tomar decisões com base neste conhecimento. Não significa ignorar opiniões nem argumentos de outros, mas significa só segui-los quando concordar com eles. Concordar significa que seu julgamento racional, independente, individual, chega à mesma conclusão.
A sociedade em que seguir o comportamento socialmente aceitável é mais importante para as pessoas que fazer e seguir seu próprio julgamento, é uma sociedade que está à mercê de qualquer demagogo ou populista. As recentes trajetória do “politicamente correto”, do multiculturalismo e do ambientalismo são exemplos deste fato. Se a mecânica da obediência já existe, é muito mais fácil instalar a tirania.
A sociedade em que o julgamento individual predomina é uma sociedade em que dogma, alarmismo, demagogia e populismo têm pouco efeito. Para racionalmente convencer milhões de indivíduos independentes, é preciso efetivamente ter Razão. Ao ser independente, o indivíduo faz bem para si e para os outros.
01 junho, 2007
Racionalidade em sociedade
Os princípios éticos, derivados da natureza do homem, são um guia para suas escolhas individuais em qualquer circunstância. Seguir os princípios corretos é tão essencial para a vida de um homem isolado quanto em sociedade. A Ética não é derivada da vida em sociedade, mas certamente é aplicável a ela.
O princípio da Racionalidade estabelece que, para viver, o homem precisa agir seguindo a Razão. Emoções, misticismo e intuição não são ferramentas para se fazer escolhas. O mesmo princípio se aplica à vida em sociedade.
O que diferencia a vida em sociedade da vida isolada é a interação entre indivíduos. O princípio da Racionalidade estipula que se deve interagir com os outros através da Razão. Mas o que isto significa, na prática? A interação humana ocorre porque as pessoas vêem nas outras a possibilidade de gerar valor, material ou não, para si. Ao interagir com outros visamos, no fundo, que eles ajam de uma certa forma.
Um religioso fazendo uma pregação, um vendedor atendendo a um cliente, um assaltante apontando a arma a sua vítima - cada um visa, ao interagir com outros, que estes ajam da forma como eles desejam. Que sigam os preceitos de sua religião, que comprem produtos em sua loja, que lhe dêem seus bens de valor. Só existem duas maneiras possíveis de interagir com outra pessoa visando uma ação desejada de sua parte: a persuasão e a força.
Interagir pela persuasão significa conseguir que o outro veja a ação que se deseja que ele tome como benéfica para si próprio. Significa interagir pela troca de valores, onde as partes envolvidas agem sempre em benefício, material ou não, de sua própria vida.
Interagir pela força significa impedir fisicamente que o outro aja da forma como gostaria, ou ainda ameaçar fisicamente um dos valores que ele já possuía, de modo que não realizar a ação que se deseja dele se torna para ele uma perda. Isto significa interagir pela força física ou ameaça dela, onde uma das partes envolvidas adquire algo às custas de outra, que perde.
Se o princípio ético da Racionalidade coloca a Razão, e não a força física, como ferramenta para guiar as escolhas do homem, é evidente que este princípio aplicado à vida em sociedade significa interagir pela persuasão.
A Racionalidade aplicada à vida em sociedade, portanto, significa obter os valores que se deseja de outros – sejam bens materiais, amizade ou o que quer que seja – fazendo que esta ação também os beneficie. A Racionalidade significa viver através da troca em benefício mútuo, em que ambas as partes saem com mais do que começaram.
O princípio contrário é o do predador, ou do parasita. Os animais, desprovidos que são da faculdade da Razão, interagem através da força. O lobo mais forte comanda a matilha, não há negociação entre leões e gazelas. Nestas condições, para um indivíduo ganhar outro tem de perder. Quando homens tentam viver através da força, obtendo o que querem dos outros pela ameaça e violência, tudo o que conseguem é viver como animais.
Uma sociedade em que se interage pela persuasão é uma sociedade em que todas as interações são em benefício mútuo e onde todas as pessoas são potencias fontes de valor para o indivíduo. A sociedade baseada no principio da força é o contrário, onde para um ganhar outro tem de perder e onde todas as pessoas são potenciais ameaças à sua vida. O indivíduo que escolhe a Racionalidade não precisa fazê-lo pelos outros. Faz em benefício próprio.
O princípio da Racionalidade estabelece que, para viver, o homem precisa agir seguindo a Razão. Emoções, misticismo e intuição não são ferramentas para se fazer escolhas. O mesmo princípio se aplica à vida em sociedade.
O que diferencia a vida em sociedade da vida isolada é a interação entre indivíduos. O princípio da Racionalidade estipula que se deve interagir com os outros através da Razão. Mas o que isto significa, na prática? A interação humana ocorre porque as pessoas vêem nas outras a possibilidade de gerar valor, material ou não, para si. Ao interagir com outros visamos, no fundo, que eles ajam de uma certa forma.
Um religioso fazendo uma pregação, um vendedor atendendo a um cliente, um assaltante apontando a arma a sua vítima - cada um visa, ao interagir com outros, que estes ajam da forma como eles desejam. Que sigam os preceitos de sua religião, que comprem produtos em sua loja, que lhe dêem seus bens de valor. Só existem duas maneiras possíveis de interagir com outra pessoa visando uma ação desejada de sua parte: a persuasão e a força.
Interagir pela persuasão significa conseguir que o outro veja a ação que se deseja que ele tome como benéfica para si próprio. Significa interagir pela troca de valores, onde as partes envolvidas agem sempre em benefício, material ou não, de sua própria vida.
Interagir pela força significa impedir fisicamente que o outro aja da forma como gostaria, ou ainda ameaçar fisicamente um dos valores que ele já possuía, de modo que não realizar a ação que se deseja dele se torna para ele uma perda. Isto significa interagir pela força física ou ameaça dela, onde uma das partes envolvidas adquire algo às custas de outra, que perde.
Se o princípio ético da Racionalidade coloca a Razão, e não a força física, como ferramenta para guiar as escolhas do homem, é evidente que este princípio aplicado à vida em sociedade significa interagir pela persuasão.
A Racionalidade aplicada à vida em sociedade, portanto, significa obter os valores que se deseja de outros – sejam bens materiais, amizade ou o que quer que seja – fazendo que esta ação também os beneficie. A Racionalidade significa viver através da troca em benefício mútuo, em que ambas as partes saem com mais do que começaram.
O princípio contrário é o do predador, ou do parasita. Os animais, desprovidos que são da faculdade da Razão, interagem através da força. O lobo mais forte comanda a matilha, não há negociação entre leões e gazelas. Nestas condições, para um indivíduo ganhar outro tem de perder. Quando homens tentam viver através da força, obtendo o que querem dos outros pela ameaça e violência, tudo o que conseguem é viver como animais.
Uma sociedade em que se interage pela persuasão é uma sociedade em que todas as interações são em benefício mútuo e onde todas as pessoas são potencias fontes de valor para o indivíduo. A sociedade baseada no principio da força é o contrário, onde para um ganhar outro tem de perder e onde todas as pessoas são potenciais ameaças à sua vida. O indivíduo que escolhe a Racionalidade não precisa fazê-lo pelos outros. Faz em benefício próprio.
17 maio, 2007
A Ética individual e a sociedade
Os princípios éticos são derivados pela razão, a partir da natureza do homem, da natureza de sua consciência e de seus meios de sobrevivência. Os princípios éticos da Racionalidade, Independência, Honestidade e Produtividade não são mandamentos, são conceitos básicos que cada indivíduo pode aplicar a cada situação que vive, indicando qual a opção mais vantajosa para sua vida.
Como já foi dito, os princípios éticos não são um manual para a conduta em sociedade, são mais abrangentes e mais fundamentais que isso. Estes princípios são o reconhecimento de que o homem existe, que sua existência implica identidade, que por ter uma natureza específica há coisas que favorecem e outras que desfavorecem a vida humana e que podem ser identificas como tal. Sendo derivados da condição humana, estes princípios se aplicam a qualquer pessoa.
Embora não sejam derivados da vida em sociedade nem tenham como objetivo primário reger as relações entre pessoas, os princípios éticos – por serem guias gerais para qualquer decisão que se tenha de tomar – se aplicam à vida entre outros tão bem quanto se aplicam à vida isolada.
Em geral ao discutir sobre Ética, o polemista oferece cenários ao interlocutor e pede que este escolha o caminho ético. Em geral, estes cenários são situações perde-perde, em que é impossível evitar que ao menos uma das partes saia prejudicada. Ayn Rand chama estes falsos dilemas éticos de “cenários de bote salva-vidas”, pois um dos exemplos típicos é o de dois sobreviventes em um bote que só possui suprimentos suficientes para que um sobreviva até o resgate.
A Ética não é determinada através de situações imaginárias onde o pior já aconteceu. Saber o que se faria em um bote salva-vidas ou outro desastre qualquer não é nenhum guia para como se deve proceder na vida normal. A Ética racional, derivada da natureza do homem, oferece respostas para as situações da vida normal, e indica o que é importante considerar em situações de emergência.
Os artigos seguintes explorarão a aplicação de cada um dos princípios éticos fundamentais à vida do indivíduo em sociedade.
Como já foi dito, os princípios éticos não são um manual para a conduta em sociedade, são mais abrangentes e mais fundamentais que isso. Estes princípios são o reconhecimento de que o homem existe, que sua existência implica identidade, que por ter uma natureza específica há coisas que favorecem e outras que desfavorecem a vida humana e que podem ser identificas como tal. Sendo derivados da condição humana, estes princípios se aplicam a qualquer pessoa.
Embora não sejam derivados da vida em sociedade nem tenham como objetivo primário reger as relações entre pessoas, os princípios éticos – por serem guias gerais para qualquer decisão que se tenha de tomar – se aplicam à vida entre outros tão bem quanto se aplicam à vida isolada.
Em geral ao discutir sobre Ética, o polemista oferece cenários ao interlocutor e pede que este escolha o caminho ético. Em geral, estes cenários são situações perde-perde, em que é impossível evitar que ao menos uma das partes saia prejudicada. Ayn Rand chama estes falsos dilemas éticos de “cenários de bote salva-vidas”, pois um dos exemplos típicos é o de dois sobreviventes em um bote que só possui suprimentos suficientes para que um sobreviva até o resgate.
A Ética não é determinada através de situações imaginárias onde o pior já aconteceu. Saber o que se faria em um bote salva-vidas ou outro desastre qualquer não é nenhum guia para como se deve proceder na vida normal. A Ética racional, derivada da natureza do homem, oferece respostas para as situações da vida normal, e indica o que é importante considerar em situações de emergência.
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